Tudo começou com os meus pais,
mesmo sem eles saberem.

Cada registro naquela gaveta, desde o início da história deles até onde a minha começou, foi encantando aos poucos a pequena criança sonhadora que eu ia me tornando. Era incrível poder conhecer meus pais quando mais jovens ou gente que eu sequer conheceria, mas, principalmente, poder reviver momentos da minha própria e, até então, pequenina história.
Desde muito cedo, a fotografia teve pra mim esse papel mágico de poder nos eternizar ou eternizar os outros em um pedaço de papel.
Eu mesma, com uns 2 ou 3 anos de idade…
Quando entendi que a máquina do tempo era uma caixinha preta um pouco maior do que as minhas mãozinhas pequenas e não aquela gaveta, foi onde tudo mudou. Então eu mesma poderia congelar momentos! E meu brinquedo favorito se tornou uma câmera fotográfica antiga que tínhamos em casa.
Assim, entendo que fui “treinando meu olhar” ao passar dos anos. Onde eu ia, imaginava, enquadrava e fazia uma fotografia na minha cabeça. Muitas vezes ficava triste por não ter uma câmera nas minhas mãos, mas hoje entendo a importância daqueles momentos e ainda lembro da maioria das fotos que fiz!

Com o tempo, com a minha primeira câmera digital em mãos, eu percebi que poderia congelar pedacinhos das histórias de outras pessoas também, e proporcionar à elas a possibilidade que eu tanto achava incrível de reviver momentos especiais da vida.

E foi assim que tudo nasceu!

Me apaixonei por um curso, na faculdade, que tinha uma cadeira de fotografia. Mesmo com o design em mente, ela nunca saiu dos planos. Então, com o salário do meu primeiro estágio, veio minha primeira DSLR e, aos poucos a coragem de fazer os primeiros eventos…
Comecei fazendo parcerias em eventos que eu queria estar, trocando a entrada por fotos. Justo, não é mesmo!? Além de poder absorver o conteúdo, aprendia a fotografar pessoas de tudo que é jeito, em tudo que é tipo de lugar. E algo ainda mais maravilhoso que a fotografia me proporcionou (e ainda proporciona) foi poder conhecer um bocado de gente incrível que existe nesse mundão!

Aos poucos fui percebendo meu lugar nisso tudo… Percebendo do que gosto, o que quero fazer.

E assim, apaixonada por crianças desde sempre, eu cheguei na fotografia infantil. Mas também descobri que o meu gosto por fotografar momentos especiais e naturais, sem intervir na cena, tinha nome e se chama fotografia documental.
Tenho gosto por congelar sentimentos verdadeiros sem que as pessoas percebam que o faço. Ou sem pedir para que o façam. Não gosto de montar cenas perfeitas de pessoas felizes, pois elas não são perfeitas e as pessoas não estão felizes. Não de verdade, entende?

Gosto de vê-las sendo elas mesmas e fotografar. Felizes ou não.

Não gosto quando alguém olha pra minha câmera e arruma a postura, porque eu estava visualizando a perfeição da coluna torta, do olhar no horizonte ou o sorriso bobo. Essa é a magia da fotografia! Não acha? Reviver exatamente aquele instante como ele foi, como você era naquele lugar e/ou naquela situação. Sem sorriso forçado, sem cara de paisagem. Apenas você.
E esses se tornarão um dos meus desafios diários: não fazer fotos padrões. Não entregar sorrisos amarelos mascarados, mas gargalhadas que chegam a brilhar os olhos, cheias e cheios de covinhas. Ou lágrimas que fazem a gente sentir um pouquinho de aperto no coração. E desafiar quem estiver passando pelas minhas lentes a se entregar.

Topa o desafio?

Daph

Porto alegrense de 24 anos, sagitariana, apaixonada por fotografia, design e compartilhar conhecimento.

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